sexta-feira, 1 de março de 2013

Quando Cai a Noite na Cidade (Parte II)



A chuva parou. Sigo uma desconhecida por ruas que desconheço. Entramos por fim num edifício velho e sombrio. Conduz-me ao último andar e detém-se junto a uma porta.
 - “Quem és tu? Porque me trouxeste aqui?”, pergunto novamente.
Ignora-me. Abre o embrulho que retirou da parede. Lá dentro está uma chave.
 - “Responde-me!”, insisto, encostando-a à parede.
 - “Trouxe-te aqui para te ajudar. Chamo-me Laura.”
Gira a chave na fechadura. A luz da rua ilumina a sala. Está atulhada de móveis, cobertos com lençóis. Há um leve cheiro a mofo no ar. Na varanda, descortino um vulto, mulher, velho. O roncar de um motor. A mulher vira-se e observa-me:
 - “Chegaram. Temos pouco tempo.”
Entra e dirige-se a um dos móveis. Levanta o lençol e abre uma pequena gaveta. No interior está um livro que entrega a Laura.
 - “Têm aqui as instruções. Cuida bem dele”, diz, apontando para mim. “Agora… desapareçam!”
Laura puxa-me pelo braço. Não ofereço resistência, há uma força que me deixa ir. Descemos pelas traseiras e corremos por entre becos e ruelas. Atrás de nós uma explosão violenta. Laura encosta-me à parede e beija-me demoradamente. Olha-me, bem fundo, e acena-me com o livro.
 - “Já não nos seguem. A nossa vida começa aqui!”

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