A chuva parou. Sigo uma desconhecida por ruas que desconheço.
Entramos por fim num edifício velho e sombrio. Conduz-me ao último andar e
detém-se junto a uma porta.
- “Quem és tu? Porque me
trouxeste aqui?”, pergunto novamente.
Ignora-me. Abre o embrulho que retirou da parede. Lá dentro está uma
chave.
- “Responde-me!”, insisto,
encostando-a à parede.
- “Trouxe-te aqui para te
ajudar. Chamo-me Laura.”
Gira a chave na fechadura. A luz da rua ilumina a sala. Está atulhada
de móveis, cobertos com lençóis. Há um leve cheiro a mofo no ar. Na varanda, descortino
um vulto, mulher, velho. O roncar de um motor. A mulher vira-se e observa-me:
- “Chegaram. Temos pouco
tempo.”
Entra e dirige-se a um dos móveis. Levanta o lençol e abre uma
pequena gaveta. No interior está um livro que entrega a Laura.
- “Têm aqui as instruções.
Cuida bem dele”, diz, apontando para mim. “Agora… desapareçam!”
Laura puxa-me pelo braço. Não ofereço resistência, há uma força que
me deixa ir. Descemos pelas traseiras e corremos por entre becos e ruelas.
Atrás de nós uma explosão violenta. Laura encosta-me à parede e beija-me
demoradamente. Olha-me, bem fundo, e acena-me com o livro.
- “Já não nos seguem. A nossa vida começa aqui!”
Sem comentários:
Enviar um comentário