Ela vem e a praia devolve-a ao mar.
Ela vai e o mar sacode-a uma e outra vez, num
enamoramento longo e erosivo.
Madalena, filha de pescadores e do mar, contempla, como
todos os dias, aquele enleamento marítimo e acaba sem querer por tropeçar nos
seus próprios pensamentos e embarcar numa sinopse alucinante.
Era Inês que sem pedir licença entrava por ela adentro,
impulsiva como sempre fora e Madalena deixava-se levar naquela volúpia,
sentindo que o mar a abraçava e a puxava contra si com a força dos amantes.
Amante que foi de uma amante que perdeu.
Naquele jogo de vai e vem, a força que a puxava para o
mar era a que sempre a puxara para ela, para Inês. Ela era o seu mar.
Percebera-o por fim. Por fim e até ao fim dos dias.
«Mas e onde é o fim dos dias? Onde é o fim? O que é? É
suposto acabar no fim quando já não há mais nada além do vazio mas, onde está
ele? Consegues senti-lo Inês? Onde é o fim de nós?», perguntas e mais
perguntas!
À beira mar, esperam, paciente e voluntariamente por
breves instantes.
Instantes que se confundem entre o início do mar e o fim
das coisas.
Madalena acorda com um arrepio que lhe percorre todo o
corpo nu. Era o mar que a beijava.
«Ines?»!
Foto e conto por Rita
Foto e conto por Rita
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