quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pão para a Solidão

Amanhece em mais um dia. António já vai longe no caminho que liga a sua casa ao moinho. Esse trilho que conhece de olhos fechados, que pauta a sua vida há talvez demasiado tempo. Mais que um trabalho, ser moleiro é agora um refúgio. Nesse dia que hoje amanhece, António chega ao cimo do monte. Dali vislumbra o seu moinho e, sentado nas escadas, um vulto de menino. Surpreso, aproxima-se. O menino levanta a cabeça.
- Olá senhor.
- Bom dia rapaz. O que fazes aqui a esta hora?
- Parei para descansar.
- E para onde vais?
- Não sei bem...
António abre a porta do moinho.
- Como te chamas?
- Rafael.
- Queres um pouco de pão, Rafael?
- Quero.
Enquanto prepara o pão, António observa o menino. Rafael não se move, não deixa de fitar o horizonte.
- Que procuras, Rafael?
- Um caminho.
- Esse aí em frente leva à minha casa.
- Não me serve. Está muito gasto.
António entrega um saco de pão ainda morno a Rafael.
- Obrigado senhor.
- Aqui não há outros caminhos, rapaz.
Rafael sorri e levanta-se. Despede-se com um aceno e contorna o moinho. António segue-o, curioso, mas o menino desapareceu. Lá atrás, nasce um caminho.

6 comentários:

  1. Boa!
    El poeta decía: Caminante no hay camino, se hace camino al andar.

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  2. queres feedback, queres? Toma-o:

    ADOREI A FOTO :)

    Já quanto ao texto, gostei imenso da maneira como isto foi desenvolvido e sim arrepiei-me no fim. Soube-se concluir bem, mas foi deixado muitos "caminhos" em aberto - BRAVO!

    ADOREI A FOTO

    E para acabar bem, fica a criticazinha pequinininha: no moinho só há farinha. É difícil imaginar pão quentinho num edifício que nem chaminé tem....

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  3. Critica registada para futuros posts com moinhos! ;)

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  4. Já o outro dizia... "o caminho faz-se caminhando"... ;)

    Muito bom*

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